Cães silvestres/assilvestrados

O que é um cão silvestre ou assilvestrado?

Um cão silvestre é a cria de cães domésticos que foram abandonados ou se perderam, e se reproduziram no domínio público. O cão silvestre nasce e vive sem qualquer contacto com pessoas e, por isso, não tolera o contacto humano. Tal como os gatos silvestres, estes cães vivem à margem da sociedade, procurando comida e abrigo onde for possível, acasalando e procriando sem qualquer intervenção humana.

Infelizmente, as crias dos cães silvestres acabam por morrer quase todas devido aos riscos da vida nas ruas: atropelamento, maus tratos, fome, doença. Os cachorros são ainda mais vulneráveis a estes riscos do que os gatinhos bebés.

Um cão assilvestrado é um cão que já foi doméstico mas que, por ter sido abandonado ou se ter perdido, já vive nas ruas há tanto tempo que acabou por adquirir o comportamento esquivo dos cães silvestres. Este comportamento é muitas vezes acentuado pelos maus tratos de que estes animais frequentemente são vítimas e que os levam a recear os seres humanos.



Ao longo deste texto, usaremos a palavra "silvestre" para significar tanto os cães silvestres como os cães assilvestrados.


Como posso distinguir entre um cão silvestre e um cão vadio ou errante?

Estado De Magreza Teddy Os cães vadios foram animais de companhia no passado. Como já foram sociabilizados estão, habitualmente, dispostos a aceitar o contacto humano facilmente. Caso tenham vivido por alguns meses ou anos nas ruas, sem contacto humano ou sofrendo experiências negativas com seres humanos, podem necessitar de algum tempo para reconquistar a confiança nas pessoas. Normalmente, depois de um curto período de adaptação em que tenham oportunidade de receber afecto e carinho humano e de socializar com outros cães, a maioria dos cães vadios transforma-se novamente em animal de companhia. Os cães vadios apreciam e procuram o contacto humano.

Um cão silvestre pode nunca vir a ser capaz de apreciar o toque e a companhia humanos. Quando adoptados por uma família humana, os cães silvestres geralmente demonstram ter boas capacidades sociais com outros cães e estão dispostos a tornar-se parte de um grupo de cães que faça parte da família, integrando-se facilmente na matilha. Alguns são até capazes de adaptar-se a viver numa casa, a aprender a fazer as suas necessidades no exterior Animais e a aprender regras de bom comportamento dentro do lar. Mas, geralmente, mantêm-se receosos dos seres humanos e evitam o seu contacto físico. No entanto, na maioria das vezes, os cães silvestres podem ser manejados sempre que necessário, sem darem mostras de agressividade. Pelo contrário, tendem a mostrar-se absolutamente submissos perante os seres humanos, podendo apenas reagir defensivamente se se sentirem agredidos. Se houver respeito mútuo, é possível para um cão silvestre ser feliz com uma família humana, e é essa muitas vezes a única oportunidade que têm de viver, uma vez que no nosso país os cães silvestres são capturados pelos canis municipais, e abatidos se não aparecer nenhuma família disposta a adoptá-los.


Onde vivem os cães silvestres?

Tal como os gatos silvestres, os cães silvestres vivem em qualquer sítio onde encontrem abrigo e alimento. Podemos encontrar cães silvestres a viver sozinhos ou em matilha em locais como: parques, edifícios abandonados, zonas rurais, debaixo de viadutos, de pontes, em lixeiras, etc. Assim que sentem a aproximação de seres humanos escondem-se pelo que, normalmente, são vistos apenas a uma certa distância.

Costumam mover-se mais em alturas durante as quais os humanos estão recolhidos em casa – ao cair do dia, noite e madrugada.

Os cães adultos são, acima de tudo, muito silenciosos, uma vez que chamar a atenção para eles próprios os coloca em perigo. Muitos cães silvestres são, quase sempre injustamente, vistos pelo público em geral como perigosos ou portadores de doenças.


Como posso ajudar os cães silvestres adultos?

Por norma, os cães silvestres deveriam manter-se no seu ambiente de origem. Podemos ajudá-los criando e mantendo “postos de alimentação” e fornecendo-lhes abrigo adequado (casotas em madeira ou em plástico isotérmico). A vida dos cães silvestres melhora substancialmente se forem submetidos a programas de CED (Capturar-Esterilizar-Dsc07775.1Devolver). Através destes programas, os cães são capturados com recurso a armadilhas especiais para o efeito, transportados para uma clínica veterinária para serem vacinados e desparasitados, esterilizados e marcados com um corte na ponta da orelha esquerda (sinal internacional indicativo de animal esterilizado) e, posteriormente, devolvidos ao seu habitat. A esterilização evita a reprodução e também outros comportamentos indesejados, como lutas e vaguear.

Para capturar cães silvestres é necessária uma armadilha, um veículo grande o suficiente para levar a armadilha e cobertores velhos para a cobrir. A Associação Animais de Rua empresta armadilhas de cão mediante o pagamento de uma caução, e, dependendo da disponibilidade dos voluntários, poderá ajudar na captura.

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Se descobrir que capturou numa armadilha um cão vadio, pode acolhê-lo temporariamente, até que lhe seja encontrado um lar definitivo. Durante o tempo de acolhimento, pode ensinar-lhe comandos básicos e regras para se comportar dentro de casa, o que aumentará a probabilidade da sua adopção definitiva.

Se um cão silvestre adulto não tiver um sítio seguro para onde retornar, a melhor opção é encontrar alguém que tenha uma propriedade vedada e que esteja disposto a permitir que o animal lá permaneça. Nesse caso, é essencial assegurar alimentação diária, abrigo e companhia ao animal, preferencialmente de outro cão ou cães.

A outra opção é levar o cão para casa. Mas, neste caso, é importante ter em conta que um cão silvestre pode nunca chegar a tornar-se um animal sociável e carinhoso. Terá de decidir se consegue respeitar as particularidades de um animal silvestre, que será possivelmente sempre medroso e assustadiço.

Ele poderá querer viver escondido, debaixo da cama ou de um armário. O cão estará mais confortável se viver numa casa silenciosa e se tiver uma porta para cães por onde possa sair para o jardim sem ter de cruzar-se consigo.

Para prevenir uma fuga, o seu quintal deverá estar completamente vedado com muros ou redes altas (2m pelo menos). Uma grande ajuda será ter outro cão. A maioria dos cães silvestres não são agressivos para os cães em geral, pelo que ter um cão simpático e brincalhão pode servir como um óptimo modelo a seguir para o cão silvestre. Os cães tendem a aprender uns com os outros. Se o cão silvestre vir que o seu cão doméstico confia em si e gosta de festas e de brincar consigo, há uma maior probabilidade de vir a adoptar esse tipo de comportamentos.


Como posso ajudar os cachorros silvestres?

O melhor a fazer será levar os cachorros para longe da sua mãe quando tiverem três semanas ou um mês de idade (o que é bastante mais cedo do que a idade habitual aconselhada para a separação da mãe: 7 a 8 semanas). Com essa idade, os cachorros não poderão fugir nem morder e terão mais hipóteses de serem sociabilizados. A mãe não lhes terá ainda ensinado o seu comportamento medroso em relação aos humanos. Com duas semanas ou menos, os cachorros terão que ser alimentados com fórmula de leite especial para cachorros.

Funny Lola

Se os cachorros tiverem mais de cinco semanas de idade podem tentar morder-lhe, por isso é aconselhável o uso luvas. Pode talvez precisar também de uma armadilha. São ainda jovens o suficiente para serem socializados e adoptados como cães domésticos. Mas, quanto mais velhos forem, mais trabalho de socialização exigirão.

Img Se os cachorros tiverem mais de 12 semanas, vão provavelmente manter-se tímidos e medrosos quando confrontados com novas situações de vida. Tal não significa que não possam encontrar bons lares. Muitas pessoas estão dispostas a adoptar cães tímidos e continuar o seu trabalho de sociabilização. A presença de outros cães pode também constituir uma grande ajuda quando está a sociabilizar um cachorro mais velho, pois aprendem observando a interacção de cães felizes e relaxados com o ser humano.


Img Depois das crias serem capturadas, é essencial capturar também a cadela mãe e proceder à sua esterilização. Retirar as crias e deixar a mãe ainda a produzir leite é extremamente prejudicial: para além do risco de infecções mamárias graves que, se não tratadas, podem levar à morte da cadela, existe também a angústia e sofrimento psicológico causado pela separação precoce das crias, que pode levar a cadela a uivar e procurar constantemente os filhotes por dias e por vezes semanas a fio.

Com a esterilização, existe uma supressão quase instantânea deste instinto, e a produção de leite cessa. Em alguns casos, pode ser necessária a ajuda de um medicamento para secar completamente o leite.